O pentecostes acontece para celebrar a coroação do Deus-Homem no céu. Com a ascensão de Jesus, o trono é ocupado pelo Cordeiro de Deus, e o Espírito liberado sobre a humanidade. Por isso, Jesus havia alertado aos discípulos que se Ele não fosse, o Espírito não seria enviado.
“Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.” João 16:7;13
O pentecostes acontece como cumprimento desta promessa, bem como de profecias do antigo testamento que anunciavam a vinda do Espírito. Apesar de toda orientação dada por Jesus e das profecias, os cento e vinte que estavam reunidos, foram surpreendidos quando o Espírito se manifestou.
“E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” Atos 2:1-4
O mover do Espírito na igreja
Certamente, ainda hoje o mover do Espírito no meio da igreja causa estranheza. Porque a história dos grandes avivamentos são prova disto. Esses derramamentos foram antecedidos de grande fome e sede por mais de Deus. Mas, quando a resposta veio, mesmo os que buscavam foram surpreendidos.
Como resultado de um estado de desespero espiritual, de uma busca incessante, o Espírito é derramado. Foi assim no passado, continua sendo uma fórmula infalível no presente, que atraiu sobre homens e gerações os milagres e manifestações do sobrenatural de Deus.
“Antes de mandar a igreja para o mundo, Cristo mandou o Espírito para a igreja. A mesma ordem precisa ser observada hoje.” John Stott
A igreja precisa de um pentecostes antes de ser capaz de cumprir sua missão. Porque, qualquer fogo estranho, que esteja substituindo as verdadeiras labaredas do Espírito, precisa ser confrontado. O coração humano foi desenhado para viver incendiado por Deus. Já que, Ele é nossa maior paixão, o verdadeiro sentido de nossa existência está contido nEle.
Por isso, só o pentecostes pode dar senso de urgência à igreja em relação à sua missão. Só o derramamento do Espírito pode desviar os olhos da igreja de si mesma e erguê-los para ver os campos brancos para a ceifa. Precisamos de poder para ter ordinariamente uma vida extraordinária.
Nossa vida no altar
Nossa vida precisa ser avalista de nossas palavras, isto é, precisa haver coerência entre o que cremos e como vivemos. Quando Jesus está no trono de nossa vida, o Espírito desce, assim como aconteceu em pentecostes. Nós procuramos métodos, Deus procura homens. Porque, Deus não unge métodos, Deus unge homens. O método de Deus são homens incendiados.
Por isso, a história se repete nesse particular; Deus continua em busca de homens humildes. Já que, Ele não pode usar outro tipo de pessoa. A profundidade de qualquer avivamento será determinada precisamente pela profundidade do espírito de arrependimento que o produziu.
“Quando o Senhor Jesus diz “arrepende-te”, ele quer dizer que toda a vida do crente na terra deve ser um constante e permanente arrependimento. Arrependimento e dor, isto é verdadeiro arrependimento, são constantes enquanto o homem não está satisfeito consigo mesmo – ou seja, até que vá para a eternidade. O desejo de autojustificar-se é a causa de todo o sofrimento do coração.” Martinho Lutero
O grão de trigo precisa morrer
“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.” João 12:24,25
“O avivamento no país de Gales não vem dos homens; é obra de Deus. Ele está muito próximo de nós; não há problemas de crenças e dogmas nesse movimento. Não estamos ensinando nenhuma doutrina sectária, só a maravilha e a beleza do amor de Cristo. Perguntam-me sobre meus métodos, mas eu não os tenho.” Evan Roberts
Os relatos dos avivamentos do país de Gales, de Azusa, mais recentemente de Pensacola, Toronto possuem um ingrediente comum. De maneira idêntica, iniciaram a partir de homens e mulheres quebrantados. Pessoas dispostas a morrer. Porque, sempre que o Espírito se movia, não havia espaço para outro protagonista. Quando a disputa por proeminência acontecia o Espírito se retirava.
O exemplo de Azusa
A respeito do mover em Azusa, conta-se:
“O irmão Seymor foi aceito como líder nominal. Mas não havia papa ou hierarquia. Éramos todos irmãos. Não possuíamos programas humanos. O próprio Senhor liderava. Não havia uma classe sacerdotal, nem ações sacerdotais. Essas coisas surgiram depois à medida que o movimento apostatou.
Ele costumava ficar sentado atrás de 2 caixas vazias, uma em cima da outra. Normalmente, mantinha a cabeça dentro de uma delas, durante o culto, permanecendo em oração. Não havia orgulho nestas circunstâncias.
Enquanto o irmão Seymor manteve a cabeça na velha caixa de madeira, tudo correu bem em Azusa. Depois, fizeram um trono para ele também. Agora, não temos só mais uma hierarquia, mas muitas.”
Precisamos conhecer nossas próprias fraquezas antes que possamos conhecer a força de Deus. A força natural e a habilidade humana são as maiores barreiras à obra e à operação de Deus. Portanto, mortes espirituais profundas, precisam operar em nosso interior para que o Espírito possa nos tomar por completo.
Por isso, Deus ainda hoje busca canais, através dos quais possa se derramar. Pessoas que digam sim e não temam a morte de quem são. Como resultado desta entrega, elas descobriram que nada tem maior valor ou significado do que a vida abundante que Ele conquistou na cruz. O pentecostes já aconteceu, o Espírito já foi derramado, mas existem medidas ainda maiores disponíveis.
“Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo.” John Wesley
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