Religião ou relacionamento?

religião não é o mesmo que relacionamento

A palavra religião não tem significado negativo. Sua origem do latim (religio) está associada a respeito ao sagrado e (religare) significa atar ou ligar com firmeza. Assim sendo, uma boa tradução para religião seria o que nos une ao sagrado. No entanto, as escrituras e a história da igreja demonstram que na religião não só esbarramos em contradições, como destruímos o que Jesus veio estabelecer. Não por acaso, os religiosos da época de Cristo não O reconheceram como  Messias. Pois, a simples leitura das escrituras, sem a ação do Espírito, apenas acrescenta conhecimento, gerando morte. O conhecimento das escrituras deve ser o meio através do qual obtemos revelação do Pai, e não um fim em si mesmo. Nossa meta, portanto, não é conhecer o livro de Deus e sim o Deus do livro.

… o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.” 2 Coríntios 3:6

O zelo excessivo em proteger e interpretar a letra, gera caçadores de hereges. Infelizmente a falta de revelação de tais pessoas causa maior dano e divisões ao corpo de Cristo, do que as causadas pelas supostas heresias que pretendem combater. Inegavelmente a religião transformou-se em um conjunto de regras vazias que pretendem promover um padrão moral inatingível, sem a ajuda do Espírito. A grande perseguição contra a fé verdadeira tem sua origem em mentes convertidas, cujos corações permanecem intactos. Pois, a verdadeira transformação que Jesus veio operar nasce em um coração rendido, circuncidado. Portanto, só teremos doutrinas puras e certas se amarmos ao Senhor da Verdade, mais do que as verdades do Senhor. Não se trata de conhecer o livro que dá vida, mas conhecer a vida do Senhor do livro.

O Pai e o Filho são um

Em tudo que foi criado o Pai procura pelo Filho. Suas digitais estão presentes na criação, mas Ele especialmente procura pelo Filho em nós. Entre a Trindade não existe disputa ou contradição. Jesus veio revelar o Pai, deixando-nos Seu Espírito para que seja nosso Ajudador e Mestre. O papel crucial de Jesus foi o de morrer em nosso lugar, propiciando a religação com o Pai. Jesus jamais perdeu tempo estabelecendo regras e nunca desviou de Seu foco, que era revelar o Pai. Por isso, estabelecer uma religião jamais foi Seu objetivo, Ele ensinou a importância do relacionamento.

Eu e o Pai somos um.” João 10:30

Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.” João 14:10,11

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.” João 14:16,17

Ao ensinar os discípulos a orar, Jesus repartiu o Pai conosco (Mateus 6.9). Desde Seu nascimento e morte o caminho para que este relacionamento fosse estabelecido foi aberto. A cruz possibilitou este acesso, embora mesmo antes dela Ele desejasse ter relacionamento com Israel. Infelizmente, assim como acontece ainda hoje, a nação de Israel gostava de leis e ordenanças e evitava o contato com o Deus que as estabelecia (Êxodo 20.18-21). Rejeitar o relacionamento, contentando-se apenas com a bênção, custou a Israel sua herança. Podendo, igualmente, custar a nossa.

Convite para um relacionamento

Nada é impossível para Deus, portanto, seria um feito pequeno para Ele criar um pensamento unânime na humanidade sobre tudo o que existe. Mas, Ele tem boas razões para não fazer isso. Pois, além de termos sido criados com livre arbítrio, sem o que não podemos escolher buscá-Lo e Servi-Lo, também precisamos entender que nossa unidade não é baseada em uma doutrina. Ou seja, este tipo de unidade é superficial, já que a verdadeira unidade só é encontrada em Jesus. Além disso, a verdadeira unidade pressupõe existência de diferenças. Pois, onde elas foram superadas, pode ser estabelecida sem esforço algum.

Quando desejamos promover unidade, utilizando-nos de controle e demandas, geramos manipulação. A verdadeira unidade não é promovida quando autopreservação e vontade própria existem. Estas barreiras separam-nos uns dos outros e de Deus. Pois, somente quando elas são derrubadas estamos abertos para nos deixar moldar. Ao perdermos nossa vida, somos achados nEle. Já que, não somos capazes de ser instrumentos de Deus acreditando em quem somos em Cristo, e sim em quem Ele é em nós. 

Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.” João 12:24

Em Cristo, não fomos chamados a defender uma reputação, mas a abrir mão dela (Filipenses 2.7). Ainda que algumas pessoas façam parte do corpo de Cristo sem uma experiência pessoal com o Cabeça, o inverso não é verdadeiro. Isto é, ninguém une-se ao Cabeça sem ter sido unido ao corpo. No entanto, não somos transformados ao contemplarmos à Igreja e sim ao contemplarmos Cristo (II Coríntios 3.18). O Pai nos elegeu em Jesus e somos transformados pela ação do Espírito. Portanto, Jesus veio estabelecer relacionamento com Sua noiva, desejando ser um com ela, como é com o Pai.

A verdadeira religião

Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” Mateus 22:36-40

O primeiro e o segundo mandamento sempre estiveram atrelados e neles toda lei cumpre-se. Não por acaso, a bíblia ao usar a palavra religião, vincula-a ao serviço prestado ao próximo. Nossa devoção a Deus e Seu lugar de primazia em nossa vida reflete-se no tratamento que damos ao nosso irmão. Por isso, o resultado deste relacionamento não pode ser outro a não ser empatia e compromisso com o que sofre. Imaginar que possamos ter um relacionamento com Deus isolado do compromisso com a comunidade que nos cerca é utopia. O transbordar da vida de Cristo em nós precisa escoar na direção de onde a morte opera. Pois, ela mutila e desfigura ao que foi criado à semelhança do Criador.

“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã. A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.” Tiago 1:26,27

A obra da cruz

A obra da cruz foi completa e anula qualquer esforço humano que busque promover um conserto entre o Criador com a criatura. O homem carnal busca mudar a humanidade através de mudanças que promove no mundo. O homem espiritual muda o homem para que a mudança no mundo seja possível. Andar no espírito é enxergar através de Seus olhos, ouvir através de Seus ouvidos e entender através de Seu coração. A maturidade não é adquirida através de um esforço para adquirir certo nível de espiritualidade; maturidade nasce quando aprendemos a habitar no trabalho que foi finalizado em Jesus. Jesus é tudo o que somos chamados a ser e só conseguimos ser o que fomos comissionados a ser se habitamos nele.

Nenhum outro artifício gera o que Jesus foi comissionado pelo Pai a fazer e sem Ele nada podemos fazer. Ele deseja relacionar-se conosco e para isso morreu na cruz. Sua morte inaugurou o caminho para que este relacionamento fosse possível. Jesus não veio criar uma nova religião, Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6). Portanto, Ele é o Caminho que nos leva ao Pai. É, também a Verdade que nos liberta, sendo o Único que nos concede Vida eterna.

Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” João 15:5

share

Publicações Recomendadas