Habitar em Deus.

Habitar em Deus

O conceito de habitar está vinculado a morar; ter residência fixa, permanecer, residir. Não é uma palavra que está associada a qualquer nível de instabilidade ou oscilação. Por isso, quando pensamos no princípio de que fomos chamados a habitar em Deus, não podemos admitir inconstância. Contudo, a natureza humana precisa ser treinada pelo Espírito de Deus, para se posicionar com constância. Pois, nossa tendência é dar espaço para o desânimo e para toda sorte de dúvida. Certamente, nossas reações estão fundamentadas na revelação rasa que temos de nosso Pai. A maturidade de nossa caminhada ao Seu lado acrescenta estabilidade aos nossos passos.

Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.” Tiago 1:5-8

O Pai conhece nossa fragilidade e orienta-nos a solicitar sabedoria, com fé. O texto de Tiago, citado acima, compara nossa instabilidade à onda impelida pelo vento. Porque, o combustível de nossa constância é a sabedoria que vem do alto e que acessamos por fé. Por isso, não existe meio de construir um relacionamento sólido com nosso Senhor e Salvador, sem fé (Hebreus 11.6). A busca por habitar nEle exigirá rendição. À semelhança do barro que se deixa moldar, temos que permitir que o Oleiro molde nossa estrutura. A renovação de nossa mente (Romanos 12.1-2) é o que imprimirá novos contornos em nossa estrutura frágil e pouco sólida.

A peregrinação no deserto

“Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador.” Hebreus 11:8-10

Sabemos que tanto Abraão, como o povo de Israel, peregrinaram pelo deserto e habitaram em tendas. Eles estavam em busca da constância de um lugar que pudessem chamar de seu. Onde pudessem plantar e colher e estabelecer-se. Embora a peregrinação tenha sido, também, associada com a pátria celeste; estabelecendo a peregrinação terrena como necessária; eles foram guiados para o lugar onde pudessem habitar seguros. Pois, nunca foi desejo de Deus que Eles peregrinassem por tantos anos. Foi a dureza de seus corações e a resistência que ofereceram ao que Deus tentava lhes ensinar que os conduziu pelo caminho mais longo. Portanto, não precisamos repetir o erro deles.

“Andaram errantes pelo deserto, por ermos caminhos, sem achar cidade em que habitassem. Famintos e sedentos, desfalecia neles a alma.” Salmos 107:4,5

“Pelo que se acendeu a ira do Senhor contra Israel, e fê-los andar errantes pelo deserto quarenta anos, até que se consumiu toda a geração que procedera mal perante o Senhor.” Números 32:13

Habitar em Deus

“Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade.” Colossenses 2:9,10

“O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio.” Salmos 91:1,2

A palavra contém muitas promessas para os que habitam nEle. Ou seja, o coração de Deus aguarda que entendamos a importante lição de que sem Ele nada podemos fazer. Não se trata, portanto, de incluí-lo em alguns aspectos de nossa jornada. Porque nossa vida não pode ser compartimentada, é impossível oferecer-lhe parte de quem somos. Não podemos e nem devemos manter controle de algumas escolhas e decisões, concedendo-lhe permissão para atuar em um percentual de nosso ser. Habitar nEle é entregar-lhe o controle de cada uma das áreas de nossa vida. Sem essa consciência poderemos peregrinar por um deserto onde teremos Seu sustento, mas não veremos Sua face.

O relacionamento com Deus fica capenga e incompleto enquanto não anelamos habitar nEle. Contudo, não atingimos a plenitude deste posicionamento nesta vida. Pois, por mais que nos esforcemos, nossa carne não conhecerá e nem pode suportar a realidade de Sua santidade. Chegará o dia em que isso será possível e a adoração e o louvor fluirão de forma espontânea. Já que não existe nenhuma expressão mais adequada do que a rendição e a adoração diante de Sua grandeza. Servimos a um Deus grande que nos convida a habitar nEle. Por isso, perseguir este lugar deve ser nosso principal objetivo. É a partir deste lugar que somos sal e luz e fora dEle experimentamos cansaço e desânimo.

A videira e os ramos

Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.” João 15:5;7

Em uma de Suas últimas orientações, Jesus comparou-nos com os ramos de uma videira. Foi precisamente nos momentos que antecederam Sua morte que Ele frisou a importância de permanecer nEle. Ele sabia o que Sua morte causaria nos discípulos que o ouviam, mas não falou só para eles. O texto de João 15 é muito atual e foi endereçado a cada um de Seus filhos. Habitar ou permanecer nEle é não só dar fruto, mas carregar vida. A seiva da videira é que nos sustenta. Somos como galhos secos quando nos desconectamos da fonte de vida. Seria tolice imaginar que possamos sobreviver desligados. Portanto, resta-nos a inteligente decisão de aprender a habitar na única fonte de vida verdadeira – Jesus.

“Porque o Senhor ama o juízo e não desampara os seus santos; eles são preservados para sempre; mas a semente dos ímpios será desarraigada. Os justos herdarão a terra e habitarão nela para sempre.” Salmos 37:28,29

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