As árvores do jardim.

árvores do jardim

As árvores plantadas por Deus no Éden são símbolo de duas naturezas distintas, uma que leva para a morte e outra para vida. Adão e Eva foram orientados a não provar do fruto de uma das árvores – a do conhecimento do bem e do mal. A razão pela qual este fruto era proibido é, e continua sendo, o fato de que sua semente gera morte. Cada uma das árvores criadas por Deus nasceu a partir de uma semente. A semente da árvore do conhecimento do bem e do mal nos afasta da dependência de nosso Criador. O perigo desta independência reside no fato de que somos limitados em nossa análise. Por isso, respaldar-se desta visão limitada é mortal, já que nos deixa vulneráveis a todo tipo de engano.

Satanás não tentou Eva com aquele fruto apenas porque Deus proibiu que dele comessem. Ele tentou-a com ele porque sabia que a origem de seu poder estava enraizada nele. Ou seja, o bem que há em nós jamais será capaz de redimir-nos do mal que, também, em nós habita. Porque, tratam-se de frutos oriundos de uma mesma semente, e esse fruto gera morte. Pois, o bem que somos capazes de manifestar é apenas a outra face do mal em nós. O homem precisava escolher a obediência. Por isso, Deus plantou diversas árvores no jardim, ordenando-lhe que não comesse o fruto de apenas uma delas.

“Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal.” Gênesis 2:9

Caim e Abel

A manifestação da semente do bem e do mal teve consequências imediatas nos filhos do primeiro casal. Pois, Caim não tolerou Abel, matando-o. Assim acontece também conosco, quando nos apoiamos em justiça própria. Ou seja, consideramos a postura dos que apoiam-se na fé intolerável. Esta disputa é antiga e perpetua-se em nossos dias. A natureza assassina da semente de Caim é na verdade um mecanismo de defesa fundamentado na insegurança. 

A justiça própria na qual, eventualmente nos apoiamos, pretende encontrar justificação baseada em esforço próprio. Além de ser muito instável, lá no fundo, sabemos que é ineficaz. Se pudéssemos pagar o preço por nossa salvação, Jesus não teria morrido na cruz. A guerra entre o que é espírito e o que é carne nunca cessa e só em Jesus é satisfeita. Temos, no entanto, a tarefa de permitir que a cruz opere em nossa velha natureza. Todos os homens pecaram e foram destituídos de Sua graça (Romanos 3.23-24).

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” Romanos 5:12

“Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual…O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante…O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos.” 1 Coríntios 15:44-48a

“Eu senti e ainda sinto que não fui apresentado para um homem alemão (nazista), e sim para o homem. Era alemão e vivia debaixo de certas circunstâncias, podendo estar aqui sob outras circunstâncias. Ele pode bem ser eu, sob certas circunstâncias.” Milton Mayer

A cruz de Cristo

Os que não tem revelação da cruz de Cristo, continuamente tentam equilibrar o bem e o mal dentro deles. Pois, acreditam honestamente que o bem que fazem pode anular o mal que neles habita, tornando-os aceitáveis diante de Deus. Este pensamento está fundamentado em engano, sendo consequência da semente de Adão em nós. O apóstolo Paulo foi confrontado com a Verdade – Jesus, ao descobrir que a justiça que ele achava que praticava, baseada na lei, não contava com o aval de Deus. Ele perseguia o próprio Cristo, quando encarcerava e matava Seus verdadeiros adoradores, assim como fazem os que apoiam-se na lei. Benevolência oferecida para compensar o mal é uma afronta para a cruz e jamais será aceita pelo Pai.

“Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.” Mateus 7:17

Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si…Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei.” Gálatas 5:17,18

Como cristãos frequentemente gravitamos e estimamos os lugares altos. Ou seja, lugares conservadores e moralmente corretos. Jesus não agia assim, Ele escolhia pecadores, tendo nascido na manjedoura, contrariando todos os padrões da sociedade. Pois, não foram pecadores que O crucificaram, mas a casta de cidadãos moralmente corretos. Infelizmente, as escrituras atestam que é possível conhecer e até entender a doutrina cristã sem ser um cristão. Porque, ser cristão não é apenas conhecer a doutrina e os princípios espirituais, é antes ter nossa vida em Jesus. Nosso chamado não é apenas o de imitar Cristo, e sim o de permitir que Cristo seja formado em nós.

“Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.” Gálatas 6:14

O amor como árbitro

O Senhor não nos ordenou que amássemos nossos inimigos como uma disciplina espiritual. Ele ordenou-nos que oferecêssemos amor onde o mal é manifesto. Pois, existe um poder que é liberado quando nossa resposta é o amor. A cabeça da serpente é esmagada ao não revidarmos na mesma moeda. Desse modo, o inimigo é desalojado a partir de sua raiz, tanto de nosso coração, como daquele que nos agride. Este mandamento nos foi dado proibindo-nos de contribuir para a multiplicação e perpetuação do mal. Porque, ao atacarmos alguém com palavras ou fisicamente, o mal é liberado. Em contrapartida, quando este mal fica impossibilitado de afetar sua vítima (roubando-lhe a paciência, paz ou o amor), cumpre-se o que o texto de I Coríntios 13 relata:

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará.” 1 Coríntios 13:4-8

Para o homem natural esse princípio é muito difícil de assimilar, sendo impossível de viver. Os que não nasceram de novo interpretam que isso só significa permissão para manifestação do mal. Nada poderia estar mais longe da verdade. Porque, assim como Satanás não expulsa Satanás, ódio não pode expulsar ódio, e ressentimento não expulsa ira. Se reagimos liberando o mal, multiplicamos a essência das trevas que desejamos que cesse.

O plano perfeito de Deus

Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação. Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” Romanos 5:10-12

Deus classificou todos como pecadores, provendo no Filho o resgate. Em Jesus a lei foi cumprida e substituída pela lei que foi inscrita em nossos corações. Só conseguimos cumprir o chamado de ser santos como Ele é santo, com o auxílio do Espírito Santo. Ele é nosso Guia, Mestre e ajudador, restringindo nossa esfera de ação através de nossa nova natureza. As sementes das árvores continuam competindo dentro de nós, cabendo a cada um a decisão de escolher o fruto do qual se alimentará. Assim como os trilhos restringem a liberdade do trem e sem eles o trem não se move; precisamos das restrições impostas pelo Espírito Santo para viver em novidade de vida. 

A palavra de Deus nos orienta e nos poda, limpando-nos de toda impureza. Nossa mente necessita das ranhuras deixadas como marcas da ação do Espírito para  transitar facilmente. Do contrário, nos tornamos perpetuamente presos à insegurança, como um trem descarrilhado. Pode parecer contraditório, mas o mesmo aspecto que nos confina, acrescenta liberdade para sermos quem fomos criados para ser. Desde que anulamos os trilhos, estamos constantemente em contato com nossa insanidade. Precisamos nos alimentar da direção de Deus e anular por completo a influência do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal de nossas ações.

A lei do Espírito da vida

As árvores do jardim são símbolo da quantidade de escolhas que temos diante de nós. Neste jardim, também, foi plantada a árvore da vida. Deus nos amou provendo em Jesus o resgate e o conserto daquilo que nenhum de nós era capaz de redimir. Fomos comprados por alto preço de sangue do Cordeiro que foi morto e recebido como propiciação de nosso pecado. Hoje vivemos debaixo de outra lei, que é a lei do Espírito da vida:

“Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” Romanos 8:2-4

Portanto, não somos mais escravos e nem devedores à carne. No entanto, Satanás continua tentando seduzir a jovem noiva de Cristo com o mesmo engano que usou para seduzir a esposa de Adão. Ou seja, oferecendo-lhe que se alimente do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.  Devemos rejeitar este fruto, sabendo que gera morte. Pois, temos uma fonte de resposta para as questões que não compreendemos e fomos enxertados na videira verdadeira. Chegará o dia em que comeremos do fruto da árvore da vida e não mais lidaremos com as limitações impostas pelo pecado.

“No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos.” Apocalipse 22:2

 

 

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