A verdade que liberta

Verdade que liberta

A verdade que liberta é aquela que é fundamentada em Jesus. Não se trata, portanto, de um ponto de vista, de uma opinião, de religião, de um conceito ou ainda de uma escolha. Jesus é a verdade absoluta e a imagem do Deus invisível (Colossenses 1.15). Por isso, a verdade não deve ser debatida, mas declarada. O que precisamos urgentemente é aprender a declará-la em amor, não em condenação. A igreja falha terrivelmente em sua missão quando utiliza-se do que conhece de Deus para condenar o mundo. Obviamente o mundo será julgado a partir do evangelho, contudo, não é nosso papel julgar. Essa prerrogativa não é nossa e desviamos de nosso propósito quando ocupamos lugar de juiz na vida de quem quer que seja.

“Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo.” João 12:47

Quando Jesus se coloca na posição de alguém que não julga ou condena, não restam dúvidas que ao ocuparmos este papel, estamos na contramão do que Ele ensinou. O real sentido de buscar a verdade, é ser livres do erro e da condenação eterna. Quando a bíblia classifica o inimigo de nossa alma como o pai da mentira (João 8.44), refere-se ao oposto de quem Jesus é. Ou seja, a luz que há em Jesus confronta as trevas, a mentira e toda sorte de engano que o inimigo semeia. Por isso, ao expressarmos a vida do Filho, através de nossas escolhas e no olhar que oferecemos ao outro, repartimos verdade. E, assim como a luz dissipa as trevas, a verdade anula toda sorte de mentira e, consequentemente, estabelece-se por si mesma.

Conhecereis a verdade

Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32

A verdade é uma pessoa. Não por acaso Jesus declara a respeito de si mesmo que é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6). Toda pessoa com quem temos familiaridade reparte conosco um pouco de si. Isto é, torna-se inevitável a troca de percepções e a influência gerada no convívio. Portanto, a medida de intimidade que temos com alguém, determina o nível de familiaridade adquirido, assim como as metamorfoses sofridas. É curioso observar que não raras vezes adquirimos hábitos similares, e incorporamos expressões idiomáticas e até faciais que denunciam o vínculo. O ser humano nasceu e foi desenhado para expressar a imagem de Deus. Por isso, à medida que nos aproximamos dEle, invariavelmente somos reconhecidos como alguém que andou com Ele. 

“Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente, és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia.” Mateus 26:73

Inegavelmente, não existe antídoto mais eficiente para combater a mentira do que a vida de Jesus manifestando-se através de nós. Certamente, nenhum discurso eloquente ou qualquer argumento bem fundamentado convence-nos do engano que nos escraviza a não ser a revelação do Filho. Semelhantemente, nosso próximo não reconhece outra fonte legítima que não seja essa. Pois, mesmo que muitos neguem o evangelho e optem por não seguir os passos do Mestre, ainda assim, possuem em sua estrutura um lugar de habitação de Deus. Porque fomos criados para adorá-Lo, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Ele ou ao objeto por nós adorado (Salmos 115.4-8 e II Coríntios 3.18).

A liberdade que almejamos

No livro A Cabana, o autor simula um diálogo entre o protagonista do livro (Mack) e Deus. Neste diálogo fictício, que bem poderia ser verdadeiro, evidencia-se que o nível de liberdade que perseguimos depende de uma ação sobrenatural de Deus em nós. Surpreendentemente ignoramos o quão escravos somos, assim como o quão impotente somos para promover esta libertação.

“…Em vez disso, perguntou (Deus): — Você acredita que está livre para ir embora?

(Mack) — Acho que sim. Estou?

(Deus) — Claro que está! Não gosto de prisioneiros. Você está livre para sair por essa porta agora mesmo e voltar para sua casa vazia. Mas, sei que você é curioso demais para ir. Será que isso reduz sua liberdade de partir? … 

(Deus) — Se você quiser ir só um pouquinho mais fundo, poderíamos falar sobre a natureza da própria liberdade. Será que liberdade significa que você tem permissão para fazer o que quer? Ou poderíamos falar sobre tudo o que limita a sua liberdade: A herança genética de sua família, seu DNA específico, seu metabolismo, as questões quânticas que acontecem num nível subatômico onde só eu sou o observador sempre presente. Existem as doenças de sua alma que o inibem e amarram, as influências sociais externas, os hábitos que criaram elos e caminhos sinápticos no seu cérebro. E há os anúncios, as propagandas e os paradigmas. Diante dessa confluência de inibidores multifacetados — ele suspirou —, o que é de fato a liberdade?”  William P Young – A Cabana

O homem perfeito

Quando Deus criou-nos queria que fôssemos livres. Seu desejo é que tivéssemos comunhão profunda com Ele, usufruindo de liberdade. Deixou-nos livres, inclusive, para pecar. Por isso, Seu plano de resgate preservaria nosso livre arbítrio. Contudo, ignoramos os níveis de prisões que possuímos até nos encontrarmos com a Verdade – Jesus. Este encontro não acontece de uma única vez, ele é gradual e progressivo, podendo ser raso ou profundo. O único homem perfeito que jamais habitou esta terra foi o Filho de Deus encarnado – Jesus. Fora dEle não somos livres, sendo incapazes de encontrar verdade em qualquer outra fonte. 

Por isso, não erramos ao dizermos que carregamos a verdade conosco, desde que, a expressemos em amor. O amor que levou Jesus para a cruz é o ingrediente indispensável e inconfundível que nos atrai e conecta com o Filho. Cada um que já tenha sido disciplinado pelo amoroso Deus, reconhece na Sua voz a doçura e a firmeza que nos levam à rendição. É papel do Espírito Santo revelar-nos o Pai, através do Filho, assim como de convencer-nos da justiça e do juízo. Nunca foi Seu desejo que ocupássemos o papel de juízes ou que defendêssemos a verdade com argumentos. A única forma legítima de repartir verdade com quem amamos é permitindo que Ele nos liberte, transformando-nos em luzeiros no meio das trevas.

Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim. Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais. E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.” João 16:7-11

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